Entre março e junho de 2026, a Prefeitura de Foz do Iguaçu emitiu 567 alvarás de construção — alta de mais de 20% sobre o mesmo período do ano anterior. Hoje, 61 prédios estão simultaneamente em obras na cidade. Para quem acompanha o mercado local, o número não surpreende: o que surpreende é quanto tempo demorou para o setor reagir a uma demanda que já estava clara.
Por que o turismo puxou o gatilho
A mudança de comportamento do visitante foi o estopim. Uma fatia crescente de turistas — famílias, casais, grupos de amigos — deixou de reservar hotéis e passou a preferir apartamentos e casas particulares. A economia do aluguel por temporada tomou conta de Foz antes mesmo de o mercado construtivo se reorganizar para atendê-la.
O resultado foi previsível: oferta comprimida, preços subindo e moradores locais competindo por imóveis com visitantes que ficam uma semana e pagam o equivalente a um mês de aluguel convencional. Dados do IBGE apontam que mais de 50% dos apartamentos de longa estadia na cidade já estão alugados, numa base de 12,5 mil imóveis, com média mensal próxima de R$ 1.200.
O cálculo do investidor
Para quem pensa em investimento, os números são diretos: um imóvel avaliado em R$ 400 mil pode gerar até R$ 78.400 por ano em aluguel por temporada, a depender da localização e da taxa de ocupação. Esse rendimento anual de quase 20% sobre o capital investido explica por que grandes construtoras estão mapeando Foz com uma atenção que não se via há uma década.
O formato que mais cresce é o dos compactos — unidades de até 50 metros quadrados, projetadas para estudantes, casais e jovens profissionais. Funcionais, de fácil gestão e com ticket de entrada menor, esses imóveis atraem tanto o investidor pessoa física quanto os fundos voltados para o mercado de curta temporada.
As regiões mais disputadas são o Centro, a Vila A, a Cidade Nova e os eixos próximos às Cataratas do Iguaçu e à Usina de Itaipu — áreas que combinam visibilidade turística com infraestrutura consolidada.
O reflexo no mercado de trabalho
O aquecimento da construção civil não fica só nos números do mercado imobiliário. A Agência do Trabalhador de Foz registrou abertura de vagas para pedreiro, servente de obras, pintor, armador de ferragens e soldador — reflexo direto de 61 canteiros ativos ao mesmo tempo.
O que esperar dos próximos meses
Com 61 obras simultâneas e a demanda turística sem sinal de recuo, a tendência é que os lançamentos sigam acelerados ao menos até o final de 2026. A variável que pode alterar esse ritmo é a absorção: se o mercado de aluguel por temporada se saturar mais rápido do que o esperado, alguns projetos vão reavaliar prazo e escala.
Por ora, Foz do Iguaçu vive um momento raro — uma cidade que cresceu muito no turismo e agora está crescendo também na infraestrutura que esse turismo exige. Para moradores, investidores e trabalhadores da construção, o cenário é o mesmo: uma janela aberta que, historicamente, não fica aberta por muito tempo.
